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Cavalo do Grupo Monteiro Ribas é Símbolo em Pacotes de Açúcar

O Grupo MONTEIRO, RIBAS - Indústrias S.A. nasceu da antiga “Companhia Portugueza de Cortumes”, fundada em 1917 e adquirida em 1937, à data em liquidação, por dois sócios, Manuel Alves Monteiro e António de Bessa Ribas. 

Manuel Alves Monteiro (esquerda) e António da Bessa Ribas (direita),
sócios fundadores da empresa origem do Grupo Monteiro Ribas.

A sociedade por quotas, constituída em 15 de setembro de 1937, denominada Fábrica Portuguesa de Curtumes de Monteiro, Bessa Ribas & Cia Lda, estabelece aí a sua sede, no local que ainda hoje ocupa, na Estrada Exterior da Circunvalação, ao Amial (Porto).

Instalações da primitiva “Companhia Portugueza de Cortumes”

Em 9 de maio de 1940, altera-se a denominação da Fábrica Portuguesa de Curtumes de Monteiro, Bessa Ribas & Cia Lda, para Monteiro, Bessa Ribas & Cia Lda que, 8 anos depois, seria vendida à Fábrica Portuense de Curtumes Lda, detida então pelos mesmos sócios.

Com o início da sua atividade, torna-se rapidamente, na década de 50, numa empresa líder do setor industrial dos curtumes, no mercado nacional.

Na década de 60, já sob a liderança de Josué Monteiro e Duval Mena, a empresa alargou horizontes, aumentando a gama de produtos provenientes do seu principal mercado, a indústria do calçado. Logo em 1960 inicia a produção de placas de borracha para solados, tendo sido criada a denominada Unidade C para identificar a fábrica de Curtumes e Unidade K para a Borracha (“Kautchu”).

A 27 de setembro de 1962 é alterada a denominação da Fábrica Portuense de Curtumes Lda, transformando-se em Monteiro, Ribas – Fábrica Portuense de Curtumes S.A.R.L.

Tendo a preocupação com os impactos ambientais vindo a aumentar ao longo dos anos, e com o avanço tecnológico a permitir a obtenção de alternativas ao couro a menor custo, a importância dos curtumes foi perdendo valor. Apostando na expansão do seu mercado, em 1966, a Monteiro Ribas inicia o fabrico de Couro Artificial, criando a Unidade J, destinado ao mercado de marroquinaria, vestuário, estofos entre outros.

Quase simultaneamente ao início desta atividade, mais precisamente em 1967, a empresa, face à necessidade interna de dispor de embalagens em polietileno para couros, instalou uma unidade industrial destinada ao fabrico de Plásticos (Unidade P).

Em 1972, quando empregava cerca de 700 pessoas e ocupava 42000 m2, dá-se nova alteração de denominação da empresa para Monteiro, Ribas – Indústrias S.A.R.L., bem como a criação do seu primeiro logótipo com a figura de um cavalo galopante, muito provavelmente como referência às origens desta fábrica.

Primeiro logótipo da Monteiro, Ribas - Insdústrias S.A.R.L., anos 1970

Em 1973 é adquirida a empresa Flexocol – Fábrica de Artefactos de Borracha, Lda, sediada em Leça do Balio, que se dedicava ao fabrico de peças de borracha com metal.

No ano de 1977 a Unidade K inicia o fabrico de peças técnicas de borracha por injeção, inicialmente destinadas à construção civil, mercado progressivamente substituído pela indústria automóvel e de eletrodomésticos.

Instalações da Monteiro, Ribas - Indústrias S.A.R.L., anos 1970/80

Em 1992 é adquirido um sistema de Cogeração (Unidade E) de energia passando a Monteiro, Ribas a produzir energia elétrica, que fornece à rede, e térmica. A cogeração adquire o nome de Monteiro, Ribas – Produção e Distribuição de Energia (PDE).

Em 1993, na Unidade C das instalações do Porto, apenas já é só feito o tratamento de peles, pois tinha sido inaugurada uma fábrica de curtumes nova em Alcanena, e estabelecida uma participação numa fábrica na China.

Neste mesmo ano de 1993 foi feito o registo do novo logótipo da empresa, mantendo-se nele a figura de um cavalo negro, agora empinado sobre as patas traseiras.

Logótipo da Monteiro, Ribas desde 1993

Depois, em 1996, dá-se a separação da Unidade K, criando-se a CTB – Componentes Técnicos em Borracha, Lda, ficando esta responsável pela produção de componentes técnicos em borracha pelos processos de compressão, transferência e injeção, destinados aos setores automóvel e eletrodomésticos. Já a Unidade K – Monteiro, Ribas – Indústrias, S.A. fica com a produção de placas de borracha para solas, destinadas à indústria do calçado e ao mercado de reparação de calçado.

Em 2003 o Grupo adquire a empresa Wood Milne que se dedica à comercialização de placas de borracha para a indústria da reparação de calçado.

A partir da segunda metade dos anos 1990 iniciou-se um fenómeno de deslocalização das grande fábricas de calçado, levantando bastantes dificuldades à empresa que, aliadas aos altos custos fixos de produção de um artigo tão delicado e tratado, como o é a pele ou couro do animal, levaram o Grupo, em 2004, a encerrar a unidade de acabamentos no Porto (Unidade C) e em 2010 a vender a unidade localizada em Alcanena.

Em 2008 a Unidade J separa-se juridicamente da Monteiro, Ribas – Indústrias, S.A., alterando a sua denominação para Monteiro, Ribas – Revestimentos, Lda.

Planta das instalações indutriais da Monteiro Ribas no Porto

A unidade de fabrico de Plásticos (Unidade P), tendo iniciado a sua produção com a extrusão de polietileno, a impressão em flexografia e confeção de sacos, progrediu para a impressão em rotogravura de filmes de celofane e, posteriormente, de polipropileno para a indústria alimentar, acrescentando mais tarde a complexagem de filmes (união de dois ou mais filmes) com adesivo, com solvente.

A partir dos anos 90, esta unidade reforça a sua posição no mercado de exportação, especializando-se progressivamente no mercado agroalimentar. Este alargamento da empresa aos mercados internacionais levou à necessidade de investir em diversas certificações. Assim, em 1999, esta unidade industrial obtém a certificação do Sistema de Gestão da Qualidade, segundo a NP EN ISO 9001, em 2008 obtém a certificação em Segurança Alimentar, pela norma NP EN ISO 22000, seguida de certificação Global Standard for Packaging and Packaging Materials, obtida no ano seguinte.

Logótipo da Monteiro, Ribas - Embalagens Flexíveis

Entretanto, em 2005, altera a sua denominação para Monteiro, Ribas – Embalagens Flexíveis, S.A., conhecida também internamente pelas siglas MREF, tornando-se uma empresa juridicamente independente e tomando o papel de principal acionista.

Vista aérea das instalações da Monteiro, Ribas

Atualmente, os principais produtos desta unidade industrial são Embalagens Flexíveis com impressão de rotogravura e flexogravura e complexagem, com adesivo, com e sem solvente. Transforma ainda filmes lisos ou impressos, simples ou complexos, em bobinas ou sacos. Os materiais mais utilizados nas embalagens são o poliéster (PET), polietileno (PE), polipropileno (PP), poliamida (PA), o alumínio, papel, celofane e outros materiais mono e bi-orientados.

Algumas das entidades acionista maioritárias que controlam o Grupo Monteiro, Ribas – Indústrias, S.A. são ainda descendentes das famílias fundadoras da empresa, pertencendo atualmente à 4ª geração, pelo que a raiz familiar ainda está muito marcada na empresa. Pese embora o crescimento e emancipação cada vez mais acentuada de algumas das empresas do grupo em relação à empresa-mãe, a marca elementar “Monteiro, Ribas” tem permanecido como denominador comum de todas as suas “sub-empresas”. A empresa tem aproveitado assim o nome e sinal de tradição e prestígio da marca “Monteiro, Ribas”, dado o capital de força que esta foi acumulado ao longo das décadas da sua existência. O uso consistente do logótipo clássico da sua empresa-mãe (o cavalo sobre duas patas), tem sido uma parte essencial para construir uma forte imagem corporativa.

Instalações da Monteiro, Ribas - anos 1990

Entretanto, o grupo sente a necessidade de alargamento da sua gama de produtos para a indústria de embalagens de cartão, adquirindo, em 2016, a empresa Liderbox – Artes Gráficas, S.A. Esta empresa, criada em 1978 e sediada em Barcelos, centra a sua atividade na produção de embalagens em cartolina litografada e microcanelado, destinadas a diversas indústrias, nomeadamente, alimentar, têxtil, farmacêutica, higiene e cosmética, telecomunicações e outras.

Em 2018 dá-se início a uma mudança da imagem institucional do Grupo Monteiro, Ribas – Indústrias, S.A. através da criação de um novo logótipo mais moderno e atual. Contudo, fruto da sua forte marca no mercado nacional e internacional, foi mantida parte da figura de um cavalo e o nome do Grupo.

Seguiu-se a criação da marca Monteiro Packaging englobando as empresas Monteiro Ribas – Embalagens Flexíveis, S.A. e a Liderbox – Artes Gráficas, S.A. Sob esta marca são assim produzidas embalagens em filme ou em cartolina, essencialmente para o mercado europeu da indústria alimentar.


Para além da Monteiro Packaging, o grupo criou ainda mais três marcas nas restantes áreas da indústria em que opera: a Monteiro Fabrics na produção de couro artificial para aplicações em estofos, calçado e marroquinaria; a Monteiro Footwear na produção de placas de borracha para a indústria do calçado; e a Monteiro Elastomers na produção de peças técnicas em borracha por injeção destinadas, entre outras, à indústria automóvel e de eletrodomésticos.

Nota: Na pagela que partilho, que poderão descarregar aqui, representa-se o único pacote de açúcar que conheço, ostentado o símbolo do Grupo Monteiro Ribas, lançado no ano 2000 pela Beira Douro Cafés. Haverá outros?

Nota: Post publicado inicialmente a 8 outubro 2022 em https://www.facebook.com/pacoteca.acucar

Fontes: site do Grupo Monteiro Ribas: https://www.monteiroribas.com; Dissertação “Responsabilidade Ambiental no perímetro Industrial da Monteiro, Ribas - Indústrias, S.A., Ana Leal, Julho 2012; “Monteiro Ribas, O futuro mais cedo”, Reportagem, Rui Escaleira

Lifresca, a Empresa Impressora do Símbolo “Retângulos”

Os colecionadores de pacotes de açúcar, durante pouco mais de cinco anos (sensivelmente entre 2002 e 2007) habituaram-se a ver, em alguns dos seus objetos de coleção, um pequeno símbolo impresso representando dois retângulos sobrepostos na diagonal. Na imagem 1 apresenta-se, como exemplo, um pacote de açúcar publicitando a Expo de S. Mateus do ano de 2005. Muitos se têm interrogado sobre o seu significado, mas poucas têm sido as respostas divulgadas. Apresento assim, de seguida, uma visão histórica para o significado deste símbolo.

A Higifarma – Sociedade Gestora Participações Sociais, S.A. iniciou a sua atividade em 1980, numa primeira fase, com a aquisição de 70% do capital da Lifresca – Sociedade de Produtos Higiénicos, S.A.. Esta empresa, fundada em 1970, que na altura se dedicava exclusivamente ao fabrico de toalhetes refrescantes para a companhia aérea TAP – Transportes Aéreos Portugueses, iniciou então o alargamento da sua atividade com o fabrico de saquetas para champô, gel de banho e cremes para a indústria cosmética instalada em Portugal. Mostra-se na imagem 2 alguns exemplos de toalhetes produzidos pela Lifresca, antes e após a sua integração no Grupo Higifarma, onde se destaca o símbolo e nome daquela empresa impressos na embalagem (imagem 3).



Em 1995, a Lifresca tornou-se na primeira empresa de impressão e fabrico de embalagens flexíveis a receber a certificação de Qualidade NP EN ISO 9001, atribuída pelo Instituto Português de Qualidade e renovado pela APCER. Terá sido no seguimento desta certificação que a Lifresca deu início à impressão de papel para a produção de embalagens primárias (aquelas que estão em contacto com o produto a embalar), ou seja, as nossas saquetas/pacotes de açúcar. No período entre 2002 e 2007 terão sido produzidas pouco menos de 270 pacotes de açúcar diferentes com o símbolo identificativo da Lifresca e do Grupo Higifarma, como veremos mais à frente. Mais tarde, em 2011, embora já sem qualquer identificação da empresa impressora, foram também ali impressos os 286 pacotes de açúcar e 145 adoçantes distribuídos no PortSugar do Barreiro, encontro organizado pelo CLUPAC – Clube Português de Colecionadores de Pacotes de Açúcar.

A Lifresca, localizada desde 1987 em Casal do Marco, concelho do Seixal, possuindo ainda outra unidade fabril em Ovar, deixou, entretanto, de produzir papel impresso para pacotes de açúcar, dedicando-se atualmente à produção e impressão de embalagens flexíveis para os setores farmacêutico, alimentar, higiene e cosmético, agroquímico, entre outros. O seu processo tecnológico inclui as operações de impressão (rotogravura), laminagem, corte de embalagens flexíveis e produção de sacos e saquetas de diversos tipos. Os principais produtos são os rótulos e sleeves para bebidas (águas e refrigerantes), embalagens primárias para produtos alimentares (cafés, batatas fritas, rebuçados, chocolates, especiarias, gelatinas, fermentos, farinhas, margarinas, dietéticos, etc.), embalagens primárias para a indústria farmacêutica (alumínios impressos para blíster/comprimidos, complexos para saquetas), embalagens para o setor cosmético (saquetas com ou sem enchimento e toalhetes refrescantes) e filmes complexos para embalagem primária de agroquímicos.

O Grupo Higifarma, ao longo dos mais de 40 anos da sua existência, através da criação e aquisição de ainda outras empresas, expandiu a sua atividade a uma oferta diversificada na área da embalagem, atualmente especializada nos mercados de embalagens flexível, offset (caixas, rótulos), etiquetas autoadesivas e tubos.

Assim, em outubro de 1990 o grupo Higifarma passa a ser o principal acionista da Empreza do Bolhão, Lda, empresa fundada em 1923, especializada na impressão em papel e impulsionadora do desenvolvimento das artes gráficas e da publicidade em Portugal. Cinco anos mais tarde dá-se a fusão desta centenária empresa com a Packigráfica, sediada na Maia, especializada na produção de cartão para vinhos e rótulos, constituindo-se a Packigráfica – Empreza do Bolhão, S.A.. Na imagem 4 apresenta-se a evolução gráfica da marca desta empresa ao longo do tempo. Em 2020 esta empresa é declarada insolvente tendo o seu riquíssimo espólio gráfico sido adquirido pelo município da Maia.

A Laboplaste – Plásticos para Laboratórios, Lda, fundada em 1977 e sediada em Palmela, pertence ao Grupo Higifarma desde 1991, e tem como principal atividade a fabricação e impressão de bisnagas em polietileno para a indústria cosmética e farmacêutica.

Em 1995 o mesmo grupo investiu na produção em Espanha, onde estabeleceu a empresa Blister, S.A.. Esta empresa, localizada em Barcelona, produz, para o mercado espanhol do setor farmacêutico, alumínio impresso para embalagens blister e exporta para França e Norte de África.

O Grupo Higifarma detém também, desde 2003, a Helioflex na Tunísia, uma empresa de embalagens flexíveis que abastece os mercados farmacêuticos do norte de África e Médio Oriente.

Também a Etiforma – Sociedade Europeia de Etiquetas, Lda, criada em 1993, pertenceu a este grupo português, cuja especialização era o fabrico de etiquetas e rótulos autoadesivos, incluindo os desdobráveis Fix-a-Form e etiquetas em Braille. Esta empresa, que chegou a deter duas unidades fabris, uma na Quinta do Anjo em Palmela e outra em Espinho, viria, no entanto, a encerrar portas em 2015.

A empresa Litográfica do Sul, S.A., sediada em Vila Real de Santo António, foi criada em 1948, tendo passado para as mãos do Grupo Higifarma nos finais da década de 1990. Esta empresa, que se especializou na impressão em papel, nomeadamente de rótulos, livros, revistas, cartazes e folhetos publicitários, iniciou um processo de insolvência em 2015. Na imagem 5 apresenta-se o logótipo desta empresa antes e após a sua integração no Grupo.

Pertenceu também ao Grupo Higifarma, a Unipromo – Unidoses e Embalagens Promocionais, Lda, especializada em unidoses e mangas retráteis. Esta empresa, entretanto dissolvida em 2003 (coincidindo praticamente com o início do período dos pacotes de açúcar com o símbolo "retângulos"), chegou a ser a responsável pela impressão de saquetas individuais de sal, pimenta e açúcar para a TAP – Air de Portugal como atestam as imagens 6 e 7. Há, por isso, ainda quem refira, erradamente, que o símbolo dos retângulos sobrepostos que surgiram nos pacotes de açúcar em meados da primeira década deste século pertenceria a esta empresa Unipromo. 


Pertenceram ainda ao Grupo a Eurembal – Sociedade Europeia de Embalagens, Lda (encerrada em 2009) que comercializava máquinas e consumíveis para fim-de-linha e embalagens de transporte, a Eurodisplay – Publicidade Gráfica, S.A., especializada no desenho e conceção de produtos na área da Publicidade e Promoção no Local de Vendas, e a Litografia Nacional, S.A., empresa centenária especializada em litografia, offset, tipografia, cartonagem, impressão e construção de artigos de folha-de-flandres e de película celulósica (encerrada em 2016).

Na imagem 8 mostram-se alguns dos logótipos das empresas referidas acima, enquanto pertencentes ao Grupo Higifarma, e que “receberam”, por isso, o caraterístico símbolo da casa mãe portuguesa, os tais dois retângulos sobrepostos na diagonal.

Pelo atrás exposto, ficará claro que o símbolo dos retângulos sobrepostos que surgiu, durante alguns anos, nos nossos pacotes de açúcar, identificava a empresa impressora do papel em que eram produzidos, a empresa Lifresca, que integrava o Grupo Higifarma.

Fontes: Informação dispersa na internet.

Nota: Post revisto a atualizado de um publicado inicialmente a 18 abril 2022 em https://www.facebook.com/pacoteca.acucar

Neocel e Danisco, símbolos de uma mesma Fábrica Impressora

A empresa Impressão e Manufactura NEOCEL, Lda foi fundada em 21/11/1952, desenvolvendo a sua atividade no setor de embalagens e papel de cartão, com sede na Av. Marechal Gomes da Costa 6, em Lisboa. 

Como exemplos, serão da década de 60, 70 e 80 os pacotes de açúcar publicitários das imagens 1, 2 e 3 onde a empresa impressora NEOCEL aparece com as referências “NEOCEL-LISBOA”, “N.L.” e “NEOCEL”. Embora não se consiga definir um padrão temporal exato na utilização destas diferentes “marcas”, de uma pequena amostra realizada, podemos dizer que o termo “NEOCEL-LISBOA” aparece, predominantemente, em pacotes de açúcar das décadas de 60 e 70. Já as iniciais “N.L.” surge habitualmente em pacotes de açúcar da década de 80 e o nome “NEOCEL”, menos frequente, será da década de 80, princípios de 90. O aspeto gráfico bem como o espaço disponível para a colocação da marca da empresa impressora poderão também terem sido fatores para a utilização de uma ou outra “marca”.


Num pacote de açúcar já de 1987, comemorativo do Centenário da Câmara de Comércio e Indústria Luso-francesa, surge o nome Neocel com um “N” estilizado que acompanha toda a palavra (imagem 4). 

Entretanto, chegados ao último quartel do século XX, a indústria europeia de embalagens é caraterizada por uma extrema fragmentação, muito em resultado do rápido aumento de consumos iniciado nos anos 1960 que, por sua vez, fez crescer a distribuição em larga escala e consequentemente o número de empresas de embalagens.

No entanto, com o aproximar do levantamento das barreiras ao comércio interno na União Europeia (1992), deu-se uma onda de fusões, aquisições e alianças estratégicas transfronteiriças entre várias empresas, ao qual as empresas de embalagens não foram alheias.

É assim que, em outubro de 1988, é aprovada a fusão entre a área de embalagens da empresa inglesa Metal Box com a francesa Carnaud SA, dando origem à empresa gigante Carnaud Metal Box Packaging. Oficialmente, a CMB Packaging nasce a 1 de abril de 1989, criando assim a maior empresa de embalagens da Europa e a terceira a nível mundial. A recém-criada empresa, com sede em Bruxelas, ficará assim com mais de 145 fábricas em 21 países e empregará cerca de 37.000 pessoas em todo o mundo.

Na sua ascensão com vista à liderança do mercado global, a CMB Packaging procedeu, em 1990, à aquisição de cerca de 50 empresas dos segmentos de embalagens de metal, plástico e multi-material (flexíveis), espalhadas por vários países da Europa, África e Ásia. Muitas destas empresas, no entanto, optaram por manter a sua anterior designação ou ligeiramente alterada por forma a incluir no seu logótipo “CMB Packaging”. Já anteriormente a esta fusão, a francesa Carnaud SA tinha avançado com uma onda de aquisições estratégicas, ascendendo a 28 empresas no período de 1985 a 1989.

Terá sido nesta frente de aquisições que a empresa portuguesa Neocel foi integrada na área das embalagens flexíveis da CMB Packaging. Será deste período, ou provavelmente do período de aquisições por parte da Carnaud SA, o pacote de açúcar comercial da imagem 5, onde, para além do nome NEOCEL estilizado, já anteriormente referido, e do slogan “Venda mais… embalando melhor” em português, francês e inglês, surge também, em destaque, um símbolo de um rolo de papel desenrolado que nos remeterá para a letra “N” de Neocel. Seguramente, deste período inicial da nova fase da Neocel é o pacote de açúcar comercial da imagem 6 onde, para além deste novo símbolo, surge uma nova designação, Neocel – Embalagens Flexíveis, bem como referência às outras empresas que, nesta altura, integram a CMB Flexible Packaging, dispersas por França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal. 

Como exemplo de um pacote de açúcar publicitário do período em que a Neocel se apresentou com este símbolo, muitas vezes designado entre alguns colecionadores por “cobrinha”, mostro na imagem 7 um exemplar com publicidade ao musical de Filipe La Féria, “Maldita Cocaína”, estreado no Teatro Politeama de Lisboa em 1992.


Entretanto em fevereiro de 1996, dá-se a junção do grupo europeu Carnaud Metalbox com a gigante americana Crown Cork & Seal, criando assim um novo líder mundial no mercado das empresas de embalagens, com cerca de 52.000 empregados e 350 fábricas espalhadas pela América, Europa e Ásia. 

No entanto, o ramo das embalagens flexíveis fica de fora deste negócio, tendo a empresa multinacional dinamarquesa Danisco A/S adquirido, a 24 de novembro de 1995, a empresa CMB Flexible Packaging que detinha, nesta altura, cerca de 12% do mercado em França, 5% em Espanha e 20% em Portugal. Esta aquisição, que nesta altura contempla quatro fábricas em França, uma em Espanha e uma em Portugal, num total de 700 empregados, permite à Danisco Flexible deter um leque variado de produtos, tornando-se no quinto maior produtor de embalagens flexíveis da Europa.

A Neocel, agora rebatizada Danisco Flexible Neocel - Embalagens Lda, tem como principal atividade a produção de embalagens em papel (simples ou revestido), alumínios, complexos (duplex e triplex), películas ou filmes. Estes produtos destinam-se essencialmente às indústrias alimentares, farmacêuticas e de higiene e limpeza, assim como às indústrias de tabaco. Os seus principais clientes são, nesta altura, a Iglo/Fima/Lever, a Iofil, Novadelta, Tabaqueira, Impalsa e Gelgurte.


Assim, a partir desta altura, os pacotes de açúcar produzidos na fábrica da Neocel passam a ostentar o símbolo da “casa mãe” Danisco (imagem 8). Mostro na imagem 9 um exemplo de um pacote de açúcar publicitário com este símbolo, datado de 1997, comemorativo dos 10 anos da gelataria PIAZZA, em Cascais. 

A Neocel acaba por integrar o grupo multinacional Danisco entre 1995 e 2001, já que em julho de 2001 o ramo de embalagens flexíveis da Danisco foi adquirido pela multinacional australiana Amcor, sendo rebatizada para Amcor Flexibles Neocel - Embalagens Lda. Em novembro de 2007 a Neocel abandona as míticas instalações da Av. Marechal Gomes da Costa em Lisboa e muda a sua sede para a Quinta do Anjo, em Palmela.

Atualmente a empresa redirecionou o seu negócio para a área dos plásticos, dedicando-se ao fabrico e embalagens flexíveis para embalamento de alimentos frescos (vegetais e lácteos) e comida pré-preparada.

Ficam assim desvendados mais alguns símbolos e marcas representados em alguns dos nossos pacotes de açúcar, aos quais, por vezes, não damos a devida atenção.

Quem conhece mais alguma informação sobre a história da Neocel e que queira partilhar?

Nota: Post publicado inicialmente a 18 junho 2021 em https://www.facebook.com/pacoteca.acucar

Símbolo “Legenda” desvendado

Figura 1

O que para muitos poderá ser um pequeno detalhe num pacote de açúcar, para outros é mais um motivo de pesquisa, conhecimento e divulgação deste objeto que colecionamos.

Vem isto a propósito de um enigma (para mim) sobre o nome da empresa impressora do papel de meia dúzia de pacotes de açúcar “Comerciais” dos Cafés Delta “A Verdade do Café”, que circularam nos inícios dos anos 90, e que possuíam um símbolo muito pouco percetível, mas cujo caractere inicial se assemelhava à letra E ou F (exemplo na figura 1). Entre os colecionadores mais antigos, este símbolo é comumente designado por “Legenda”, nome batizado por um amante do colecionismo e grande estudioso destes nossos objetos de coleção, José Manuel Pereira, num dos Álbuns temáticos que produziu sobre aquela marca de café.

Muito recentemente, ao olhar com mais atenção para um pacote de açúcar da minha coleção, comemorativo dos 30 anos da DELTA (ano 1991 ou seguintes) e no qual se associava um outro nome, EMBAVIL, o aspeto gráfico da letra E deste nome fez-me lembrar o tal símbolo “Legenda” (figura 2). Realizado um pequeno exercício gráfico de isolar a parte amarela do nome EMBAVIL, chega-se à conclusão que se trata do mesmo símbolo que aparece no pacote de açúcar da figura 1.

Figura 2

Existe ainda um outro pacote de açúcar, este do ano de 2001, publicitando o XVIII Encontro Nacional da TECNICELPA – Associação Portuguesa dos Técnicos das Indústrias de Celulose e Papel, onde consta o nome da empresa impressora do papel bem como um símbolo que já identificávamos claramente tratar-se do impressor EMBAVIL (figura 3).

Figura 3

empresa Embavil – Embalagens, Lda foi fundada em 1992 e desenvolveu a sua atividade no setor da impressão e fabricação de embalagens de papel e cartão. Esta empresa, que teve a sua sede localizada na freguesia de Samora Correia, concelho de Benavente, distrito de Santarém, foi declarada insolvente no ano de 2006. 

Em conclusão, é minha opinião de que o símbolo habitualmente designado “Legenda” se referirá à empresa impressora Embavil – Embalagens, Lda, à semelhança de outras designações gráficas que já sabíamos pertencer a este impressor (figura 4).

Figura 4

Nota 1: Realço aqui que expus previamente, por e-mail, esta minha opinião ao “pai” da designação “Legenda”, José Manuel Pereira, que, com os seus bonitos e lúcidos 94 anos de idade, concordou com esta minha “teoria”, tendo acrescentado que, à devida época em que elaborou o Álbum, por desconhecimento e falta de acesso a “esta máquina infernal mas maravilhosa chamada computador”, acabou por atribuir-lhe esse termo “Legenda”. 

Nota 2: Infelizmente, José Manuel Pereira viria a falecer um ano mais tarde, deixando-nos, no entanto, um legado ímpar na sistematização do conhecimento que hoje possuímos sobre o nosso colecionismo.


Nota: Post publicado inicialmente a 7 maio 2021 em https://www.facebook.com/pacoteca.acucar/

À Descoberta do Símbolo “T”

Figura 1

O estudo e a pesquisa sobre as várias informações e motivações que os pacotes de açúcar nos transmitem sempre me fascinaram. Não apenas a mensagem ou tema principal que levaram à sua elaboração, mas também naqueles pequenos pormenores, por vezes impercetíveis ao comum dos consumidores dos pacotes de açúcar, mas que dizem muito aos colecionadores que se interessam verdadeiramente por este seu objeto de coleção.

Um desses aspetos diferenciadores, muitas vezes presente nos pacotes de açúcar, é a presença de um nome, símbolo ou sigla que identifica a empresa que efetuou a impressão do material que constitui a embalagem de açúcar (habitualmente em papel).

Um destes símbolos, que sempre me intrigou por desconhecer até agora o seu significado, é aquele que muitos colecionadores apelidam de “T”, pela sua parecença com esta letra, e que apareceu em alguns pacotes da década de 80/90 em Portugal e também em Espanha (um exemplo na 1ª imagem).

Após alguma investigação, e com a ajuda de uma preciosa dica nas redes sociais, creio que posso afirmar que o símbolo em causa se referirá ao Grupo TOBEPAL que, em 1988, era constituído pelas empresas Tobepal S.A, Tobefil S.A. e Toybe S.A..

No sítio Patentes y Marcas de Espanha estão identificados os pedidos de registo das marcas destas empresas, que conferem com o símbolo que procurava (2ª imagem).

Figura 2

A TOBEPAL, S.A., era a empresa dominante do grupo e responsável, desde 1922, pela produção de materiais flexíveis para recipientes e embalagens. Esta entidade caracterizava-se pela impressão em rotogravura, além de oferecer uma vasta gama de materiais multicamadas com diferentes processos de fabricação (laminação, extrusão, lacagem, metalização e impressão).

A TOBEFIL, S.A., fundada em 1977, dedicava-se à fabricação de uma ampla variedade de extrudados de polietileno, tais como: filme retrátil, filme para complexos, polietileno para manipuladores, filme agrícola acolchoado, etc.

A TOYBE, S.A., empresa que se especializou, desde 1979, no fabrico e impressão flexográfica de sacos e embalagens flexíveis.

Em 2002 a empresa Amcor Flexibles Europa, pertencente ao Grupo AMCOR, adquire o Grupo Tobepal com fábricas em Burgos e Logroño. Esta aquisição tem efeitos apenas nas empresas Tobepal e Tobefil (3ª imagem). Os então acionistas da Tobepal, constituído por um grupo familiar, criam uma holding denominada Torrealba&Bezares, ficando com 100% das ações da empresa Toybe.

Figura 3

A empresa Toybe continua a laborar com as suas instalações em Logroño, tendo-se especializado no fabrico e impressão de embalagens e sacos de papel. Atualmente a sua marca registada é outro T em tons azuis (4ª imagem).

Figura 4

Mais tarde, no ano de 2010, o Grupo AMCOR vende a TOBEPAL ao Grupo austríaco Constantia Flexibles. Atualmente a empresa Constantia Tobepal S.L. mantém as suas fábricas em Burgos e Logroño mas já não se dedica à impressão de material de embalagem para pacotes de açúcar.

Em conclusão, é minha opinião de que o símbolo que procurava e que consta de alguns pacotes de açúcar da década de 80/90, se refere à empresa que imprimiu o material de embalagem (comumente referido como “Impressor”), tratando-se, neste caso, do grupo espanhol TOBEPAL.

Mais recentemente descobri um pacote de açúcar com este mesmo símbolo mas que possui por baixo também o nome da empresa (5ª imagem). Embora o nome possa estar algo impercetível, pelo atrás exposto, conclui-se ser a designação “TOBEPAL” o que desfaz, a meu ver, qualquer dúvida que ainda persistisse.

Figura 5

Espero que esta informação seja útil aos colecionadores de pacotes de açúcar e, caso tenham outras informações ou opiniões, agradeço a sua divulgação.


Nota: Post publicado inicialmente a 14 dezembro 2020 em https://www.facebook.com/pacoteca.acucar/


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